Controle de Emissões Fugitivas em Válvulas

Começo a escrever este texto com uma frase de efeito que li em um dos artigos que pesquisei sobre emissões fugitivas: “Para assegurar a vida das próximas gerações, é necessário reduzir os poluentes liberados para o meio ambiente.” (revista PETRO&QUÍMICA Maio 2001).
Podemos notar que não é de hoje que se fala em controlar emissões de poluentes para o meio ambiente. É uma preocupação da maioria dos países no mundo, o controle das chamadas “Emissões Fugitivas”, pois além da questão ambiental, estas perdas de produtos podem resultar num custo significativamente alto para as indústrias.
Durante muito tempo houve a busca pelo vazamento zero. Cientificamente, profissionais sérios e bem informados sabem que isso não existe, mesmo com o uso de juntas e gaxetas dos mais diversos materiais e controle nos processos produtivos da rugosidade superficial das partes dos equipamentos que irão vedar, o que se consegue é o controle das emissões, tanto que nas normas construtivas de válvulas industriais, onde não é permitido vazamento o termo utilizado é SVV (Sem Vazamento Visível), pois sabe-se que há um vazamento muito pequeno que visualmente não é possível de se detectar, para isso é necessário o uso de equipamentos especiais, metodologia específica e pessoas qualificadas. O que se busca, na realidade é o controle do vazamento. Em se tratando de vazamento e controle, é necessário ter em mente que se fala em controle em ppm (partes por milhão), ou seja, que dependendo do fluído, um valor em ppm baixo mas que pelas características letais, toxicológicas ou de periculosidade podem causar comprometimento ambiental, riscos pessoais e acidentes sérios. Existem perdas indesejáveis de compostos orgânicos voláteis (em inglês VOC = Volatile Organic Compounds) através de eixos de bombas, compressores e agitadores, hastes de válvulas, válvulas de alívio de pressão, flanges e demais componentes de tubulação, que em condições normais, deveriam ocorrer de forma controlada. Estas perdas são conhecidas como Emissões Fugitivas (Fugitive Emissions).
Estas perdas indesejáveis, que individualmente representam um valor pequeno, quando consideradas no montante existente numa unidade de processo, resultarão numa emissão considerável. De acordo a EPA (Environmental Protection Agency), as Refinarias de Petróleo lançam aproximadamente 246.069 toneladas de Poluentes Orgânicos Voláteis anualmente, sendo que 62.000 toneladas são somente devidas às válvulas.
Os EUA foi o primeiro país a estabelecer um controle efetivo sobre as Emissões Fugitivas através de uma lei federal conhecida como Clean Air Act Amendments (CAA), estabelecida em 1970 pela EPA Agência de Proteção Ambiental dos EUA em conjunto com as indústrias. O CAA estabeleceu a relação dos Poluentes Voláteis Nocivos do Ar (Volatile Hazardous Air Poluents), conhecidos pela sigla VHAP.
A Alemanha tem um regulamento de controle de poluição do ar intitulado “Instruções Técnicas sobre Controle de Qualidade do ar” (Technische Anleitung zur Reinhaltung der Luft) que é comumente referido como TA Luft.
Considerando o ambiente industrial, é sabido que a grande maioria dos agentes poluentes, óxidos de Carbono, Nitrogênio e Enxofre, são provenientes da queima de combustíveis ou da evaporação de hidrocarbonetos. Estas emissões são parte do processo industrial e são sujeitas a controles específicos. O controle de Emissões Fugitivas desempenha também um importante fator na prevenção de acidentes. Os vazamentos não detectados são grande parte das causas dos incêndios e explosões nas indústrias.
Portanto, o estabelecimento de um programa de detecção e reparos dos vazamentos denominado nos EUA de LDAR (Leak Detection and Repair Program) ou Programa de Detecção de Vazamentos e Reparos, pode além de reduzir a poluição e os riscos de acidentes, também trazer benefícios econômicos.
A norma ISO 15848 – partes 1 e 2 – Válvulas Industriais – Procedimentos de medição, Teste e qualificação para emissões fugitivas especifica os procedimentos de teste, para avaliação de vazamento externo das vedações da haste da válvula e juntas de isolamento do corpo de válvulas destinadas para aplicação em poluentes voláteis do ar e líquidos perigosos.
A Micromazza já iniciou estudos para qualificar suas linhas de válvulas para emissões fugitivas atendendo assim as exigências deste mercado que não para de evoluir.

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