Submarino Riachuelo receberá os últimos equipamentos antes de ser lançado ao mar

O Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB) prevê a construção de 4 submarinos convencionais S-BR, derivados dos submarinos franceses classe Scorpéne, cujo projeto foi desenvolvido pela empresa estatal francesa DCNS, hoje denominada Naval Group, e construído sob a fiscalização da Marinha do Brasil. Depois dos submarinos convencionais, a  Marinha construirá o primeiro Submarino com Propulsão Nuclear (SN-BR), este já totalmente projetado pela Marinha, através do conhecimento absorvido com a transferência de tecnologia adquirida no projeto dos submarinos convencionais.

O Riachuelo, com propulsão diesel elétrica, é o primeiro dos quatro submarinos que estão sendo construídos simultaneamente na Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas – UFEM/Nuclep, no Rio de Janeiro. Foi transportado para o EBN – Estaleiro e Base Naval da Marinha, em Itaguaí, onde será acabado e lançado ao mar, provavelmente em junho desse ano. Ele está praticamente pronto. O cronograma prevê que o cabeça de classe, o Riachuelo, será lançado ao mar, mas isso não significa que ele será imediatamente transferido ao setor operativo da Marinha do Brasil. Antes, passará por diversos testes de mar que tem por objetivo aferir e certificar os seus sensores, sistemas de combate, etc. O Riachuelo deverá, por exemplo, realizar teste de profundidade máxima e lançar um torpedo. A previsão é para que o Riachuelo seja comissionado ainda em  2018.

Essa nova etapa do PROSUB – projeto de fabricação de submarinos, desmistifica o receio de paralização do projeto por consequência da crise na economia do país, prova a integridade e determinação na condução/gestão da Marinha, como também é um resgate da competência da engenharia brasileira. A finalização do Riachuelo é um marco para a tecnologia brasileira no desenvolvimento de um projeto de tamanha envergadura. O Brasil com essa realização está preste a ser a sétima potência no mundo a ter know how para fabricar submarinos e a terceira nação do mundo a projetar e construir submarinos com propulsão nuclear.

Esse projeto inova não só pelo seu ineditismo tecnológico, mas também pela  construção de uma complexa base de fabricação e operação de submarinos da Marinha visando assegurar a soberania na plataforma continental do Brasil. Além disso, como terceiro objetivo, o projeto apresenta alto índice de nacionalização, exatamente para  desenvolver uma indústria de defesa, visando manter esses equipamentos operando ao longo da sua vida operacional.

A Micromazza entrou de cabeça nesse desafio tecnológico, fornecendo as válvulas mais complexas dos submarinos convencionais e trabalhando fortemente para fornecer as válvulas críticas e não críticas do projeto do submarino de propulsão nuclear, que serão gerenciados pela Marinha e não mais pela Naval Group.

Essa experiência tem sido desafiadora para a Micromazza, não apenas pela complexidade do projeto, mas também, pelo tratamento de segredo militar atribuído. Não podendo deixar de destacar, a obrigação de plena transferência de tecnologia exigida pela Marinha, gerando também a dificuldade nessa absorção, por aspectos mercadológicos futuros, além do desafio da língua e diferença cultural.  Mas, a superação dessas dificuldades, nos enche de orgulho, pois  transcorreu como foi a história da Micromazza nessa trajetória dos 25 anos, com muita luta, garra e vitória.

Fonte: ASCOM Micromazza

Prosub abre novos mercados para empresas brasileiras

O Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) da Marinha do Brasil (MB) conta com o apoio de empresas brasileiras para a nacionalização dos itens dos submarinos. Uma das empresas já contratadas foi a Micromazza, responsável pela criação das válvulas de casco dedicadas a submarinos e a navios de superfície. O contato com a Marinha foi feito pelo estaleiro francês DCNS, responsável pelo projeto dos quatro submarinos convencionais. “Na época estávamos em pleno vapor com o mercado de óleo e gás (O&G), com encomendas para os empreendimentos da Petrobras e não nos interessamos. Mais na frente, já com a visão de ampliar nossos mercados de atuação, decidimos entrar no negócio”, conta o gerente da Micromazza Walter Câmara.
A empresa gaúcha de Vila Flores tem 23 anos de mercado e nunca tinha trabalhado fornecendo às Forças Armadas ou à área de defesa e segurança. A oportunidade abraçada abriu um novo nicho de mercado. “O que esperamos como retorno comercial é que possamos fornecer esses produtos a outros clientes, pelo cadastro internacional OTAN, da indústria de defesa”. Empresas brasileiras podem se cadastrar na Otan através do sistema de catalogação do Ministério da Defesa.

DESENVOLVIMENTO DO PROJETO

De acordo com Câmara, o projeto de nacionalização da válvula durou dois anos. “O nosso produto levou dois anos. Entre o treinamento, qualificação do processo exigido pelo contratante, qualificação dos processos que entendemos que poderíamos nacionalizar, testes de protótipos, desenvolvimento/adaptação da nossa capacitação fabril para atender plenamente as exigências do projeto e fabricação e teste do primeiro lote de fabricação”, explicou.

A válvula desenvolvida agradou tanto que é apontada pela Marinha como um dos cases de sucesso do Prosub. “A participação em um novo projeto, nos força sair do cotidiano e todos ganham, a empresa e as pessoas, pois se somam experiências e esforço na obtenção de bons resultados. O aprendizado obtido oportuniza algumas melhorias em nossos produtos, mais também temos convicção que também proporcionamos algumas experiências aos contratantes que também oportunizarão melhorias nos seus projetos”, conclui Câmara.

As demandas da Marinha para a nacionalização dos itens dos submarinos são feita principalmente através das federações das indústrias dos estados e da Abimde. Segundo o coordenador do projeto, Almirante Max Hirschfeld, há espaço para novas empresas no programa. A produção, pelas empresas brasileiras, de peças, equipamentos, materiais e sistemas, que façam parte do pacote de material nacional dos submarinos convencionais previstos no Prosub, permite que, ao final do processo de nacionalização, elas sejam capazes de produzir material de forma independente e autônoma. Muitos desses materiais têm uso dual, podendo ser empregados em outros setores da indústria.

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Fonte: Indústria de Defesa & Segurança