Sem dinheiro do BNDES, Sete Brasil busca novos sócios na Ásia

Um grupo de acionistas e executivos da Sete Brasil, a maior parceira da Petrobras no pré-sal, está na Ásia negociando novas fontes de recursos para salvar a empresa.

Endividada, a Sete enfrenta dificuldades para conseguir US$ 9 bilhões que esperava receber do BNDES.

Os representantes da Sete estavam nesta última terça-feira (28) em Cingapura e vão também para China e outros países fortes na construção naval.

As conversas acontecem com estaleiros da região, mas também envolvem fundos de investimento e bancos.

A intenção é convencer os estaleiros asiáticos a se tornarem sócios e colocarem dinheiro novo na companhia. Isso ajudaria também a levantar financiamentos na Ásia.

Se prosperarem, essas negociações podem causar uma reviravolta no plano original da Sete, que tinha como uma de suas justificativas reativar a indústria naval brasileira.

Hoje, os asiáticos são parceiros minoritários dos estaleiros brasileiros contratados pela Sete para construir as sondas de exploração de petróleo para a Petrobras, uma das sócias da empresa.

Em nome do projeto da presidente Dilma Rousseff de fortalecer a indústria nacional, a Petrobras até aceitou pagar pelas sondas brasileiras mais do que elas custariam se viessem da Ásia.

Agora, o projeto foi submetido a uma reengenharia para definir não só o futuro da Sete como o seu tamanho.

A Sete não confirmou as negociações na Ásia. Por meio de sua assessoria, a empresa disse que “tem atuado prioritariamente, e em várias frentes, para a contratação de linhas de crédito de longo prazo que possibilitem a continuidade do projeto, mesmo que sob um modelo de negócios compatível com a atual realidade do mercado”.

CRISE

Criada em 2010 para construir 29 sondas que a Petrobras usaria no pré-sal, a Sete poderá, diante do novo cenário, reduzir o número de equipamentos. Cada sócio tem uma conta na cabeça, mas, nos últimos dias, as projeções convergiam para 15 unidades.

A empresa entrou em crise financeira por causa da demora do BNDES em liberar diretamente para a Sete os US$ 9 bilhões que havia prometido no lançamento do projeto. Sem dinheiro, a companhia atrasou pagamentos a estaleiros e bancos credores.

A situação piorou depois que a empresa foi envolvida no escândalo de corrupção da Petrobras. Para evitar contágio, o BNDES até aceitou liberar o dinheiro, mas por meio de bancos que já são credores da Sete.

Essas instituições, que estão com R$ 12 bilhões pendurados desde o começo do ano na companhia, não querem assumir o risco de perder mais dinheiro. Por isso, elas deram prazo de três meses para que a Sete encontre uma solução e pague a conta.

Caso contrário, ameaçam executar a dívida, o que quebraria a companhia. O prazo vence no início de julho.

Fonte: Folha de São Paulo/DAVID FRIEDLANDER/ JULIO WIZIACK

Sete Brasil contratará menos sondas que o previsto para Petrobras

A Sete Brasil, empresa que contrata a construção de sondas para a Petrobras, deverá ter capacidade para atender entre 13 e 17 sondas de um total de encomendas de ao menos 28 equipamentos, avaliou ontem, quarta-feira (8), um representante de uma das sócias da companhia.

O cumprimento parcial da encomenda se deve a dificuldades financeiras da Sete Brasil, em meio a investigações de corrupção pela Operação Lava Jato, que têm impactado os investimentos da Petrobras. “Aquele desenho original de 29 sondas, sendo 28 e mais uma de stand by, é um desenho que não se sustenta mais neste momento. Vamos ter uma redução disto para algo entre 13 e 17 sondas, no máximo”, disse Lício Raimundo, diretor de investimento da Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, que detém 10% de participação na Sete Brasil.

Cada contrato para construção de sondas gira em torno de US$ 1 bilhão. A Sete tem rolado empréstimos-ponte com um grupo de bancos até negociar condições finais sobre o pacote de financiamento de longo prazo. As negociações ficaram mais difíceis após as investigações sobre corrupção na Petrobras. “Vamos ter um enxugamento do desenho inicial. Este número de 13 a 17 é o que a Sete tem como fôlego para ofertar, tendo em vista a sua situação e os seus financiadores”, declarou ele, em evento no Rio de Janeiro.

A Sete Brasil informou na última segunda-feira que assinou em 31 de março memorando de entendimento com credores que suspende o direito de execução de dívidas com empresas do grupo por 90 dias. Raimundo disse que a Sete já está procurando bancos no mercado brasileiro para resolver o seu passivo e garantiu que a empresa não corre risco de quebrar.

“A Sete vai sobreviver, vai vencer essa tormenta, mas vai vencer com um desenho menor do que o planejado inicialmente, que dada as condições que você coloca, talvez sejam as mais adequadas mesmo”, disse ele, comentando questão sobre o impacto da queda dos preços do petróleo na companhia.

 

Fonte: G1/Reuters

Sem pagamento, estaleiro rompe contrato com a Sete Brasil

A Sete Brasil, empresa formada por sócios privados e pela Petrobras e que administra o aluguel de sondas para o pré-sal, confirmou no último domingo (22) que o estaleiro Atlântico Sul “enviou carta comunicando intenção de cancelamento de contrato” entre as duas empresas, devido à falta de pagamento.

A notícia do cancelamento foi publicada no site da revista “Veja” no sábado (21).

Em nota enviada à Folha, a Sete Brasil afirma que “não há suporte legal” para a ação do estaleiro e que seu departamento jurídico “já está estudando as medidas a serem adotadas”. A reportagem não conseguiu contato com o estaleiro. A Petrobras não se manifestou até a conclusão desta edição.

Criada em 2010 a partir da decisão do governo de usar o pré-sal para estimular a indústria naval, a Sete Brasil iria fornecer 29 sondas de perfuração para a Petrobras, num projeto de US$ 25 bilhões (cerca de R$ 67 bilhões).

O Atlântico Sul, que tem como sócios as empreiteiras Queiroz Galvão e Camargo Correia, tinha contrato para fornecer as primeiras sete sondas do pré-sal.

Em dificuldades financeiras, a Sete atrasou os pagamentos aos estaleiros, que começaram a dispensar funcionários. Segundo a “Veja”, a dívida com o Atlântico Sul é de US$ 125 milhões.

Com gastos de US$ 300 milhões por mês, a Sete depende do financiamento do BNDES, que vem solicitando garantias adicionais para liberar o dinheiro.

“Cabe destacar que a Sete Brasil só está na situação atual de ainda não ter assinado o contrato de financiamento de longo prazo com o BNDES (aprovado em 2013) em decorrência do que foi apontado pela Operação Lava Jato”, afirmou a empresa.

Boa parte dos estaleiros que trabalham para a Sete pertence às construtoras envolvidas no escândalo de corrupção da Petrobras.

No mês passado, preocupada com as dificuldades da Sete Brasil, maior fornecedora de sondas para a Petrobras no pré-sal, a presidente Dilma Rousseff teve reunião com os presidentes do BNDES e do Banco do Brasil no Palácio do Planalto para tentar destravar empréstimos destinados a socorrer a empresa.

O BB não quer liberar o empréstimo de emergência sem que os contratos de longo prazo com o BNDES estejam assinados, para reduzir seu risco. O BNDES, por sua vez, vem exigindo novas garantias a cada reunião.

O banco de fomento quer que a Petrobras e os estaleiros garantam que não houve ato ilícito na licitação.

RAIO-X SETE BRASIL

FUNDAÇÃO
Dezembro de 2010

ATIVOS
29 sondas de exploração de óleo e gás (em construção)

RECEITA PREVISTA
US$ 89 bilhões até 2020 (cerca de R$ 249 bi)

INVESTIMENTOS
US$ 25,5 bilhões (cerca de R$ 71 bi)

PRINCIPAIS SÓCIOS
BTG Pactual, Santander, Bradesco, fundos de pensão, FGTS, Petrobras

ESTALEIROS CONSTRUTORES
Atlântico Sul (PE), Enseada (BA), Jurong (ES), Brasfels (RJ), Rio Grande (RS)

FINANCIAMENTO
US$ 9,3 bi (R$ 26 bi), BNDES

 

Fonte: Folha de São Paulo